Toda vez que uma produção ganha o carimbo de “baseada em fatos reais”, a curiosidade do público dispara naturalmente. Tem sempre quem duvide se o que está na tela realmente aconteceu daquele jeito, enquanto outros mergulham em livros, jornais e documentários atrás de respostas. Com ‘DOM’, a elogiada série original brasileira do Amazon Prime Video, o burburinho nas redes sociais já era esperado, até porque muita gente conhece a figura central dessa trama. Protagonizada por Gabriel Leone, a história acompanha Pedro “Dom”, um jovem de classe média do Rio de Janeiro que se afunda no vício em drogas ainda criança e acaba assumindo a liderança de uma gangue ultraviolenta famosa por assaltar prédios de luxo. Essa trajetória dominou os noticiários nos anos 2000. Mesmo quem não viveu a época esbarra facilmente na internet com manchetes sobre o “playboyzinho” do crime ou o “assaltante gato, loiro e de olhos azuis”.
O Peso da Realidade Brasileira
Levar uma realidade tão crua para o streaming exige um cuidado imenso e muita coragem. Afinal, o roteiro lida com temas pesados como criminalidade, dependência química, corrupção policial e a brutalidade que ainda faz parte do cotidiano nas favelas cariocas e em todo o Brasil. O diretor Breno Silveira assumiu a difícil missão de caminhar sobre a linha tênue entre o certo e o errado ao longo de oito episódios de uma hora cada. Fazer isso sem dar nenhum escorregão é quase impossível, mas a tentativa de recontar a vida de Pedro “Dom” é extremamente válida. O resultado é uma superprodução nacional impecável. Esqueça os estúdios fechados, pois tudo foi gravado diretamente nas ruas do Rio de Janeiro. A fotografia e a trilha sonora são de altíssimo nível, batendo de frente com qualquer drama policial internacional.
A recriação dos anos 2000 salta aos olhos. Tudo está lá: as mesas de plástico com “litrão” nos bares, as peladas nas quadras das comunidades, os bailes funk com homens armados atirando para o alto e mulheres dançando até o chão. A fidelidade sonora também impressiona, embalada por hits da época como ‘Minha Alma’, d’O Rappa, e ‘Glamurosa’, do MC Marcinho. Não dava para esperar algo diferente, já que a Conspiração, produtora independente latino-americana com mais indicações ao Emmy e dona de sucessos como ‘Sob Pressão’, ‘Vai Que Cola’ e ‘Gonzaga: De Pai Para Filho’, assina o projeto. Fica claro que a Amazon abriu a carteira para financiar a série. O contraste entre a beleza dos cartões-postais do Rio, as casas de tijolo aparente nos morros e o submundo do crime cria o cenário perfeito para as atuações brilhantes de Gabriel Leone, Flávio Tolezani na pele do Victor Dantas do presente e Filipe Bragança como a versão mais jovem do pai de Dom.
Apostas Globais e Renovações Antecipadas
Enquanto a plataforma investe pesado em retratar com crueza a realidade local, sua estratégia internacional aponta para horizontes bem diferentes, garantindo o futuro de produções antes mesmo de o público conferir o primeiro episódio. É exatamente esse o caso de “Off Campus”. A nova aposta da Amazon só estreia em maio, mas a equipe e o elenco já têm motivos de sobra para comemorar, pois a segunda temporada acabou de ser confirmada.
Com esse movimento ousado, o serviço de streaming tenta surfar na mesma onda de sucessos recentes, mirando no público de “Heated Rivalry”, da HBO Max, e do hit da Netflix “Finding Her Edge”. O grande apelo dessas tramas é misturar a popularidade dos esportes no gelo com a estrutura clássica da comédia romântica. Baseada nos livros best-sellers de Elle Kennedy, a história nos transporta para o universo do hóquei universitário de elite da Universidade de Briar. É lá que os mundos completamente opostos da compositora Hannah Wells (Ella Bright) e do astro do esporte Garrett Graham (Belmont Cameli) colidem. Em meio a corações partidos e aos dilemas da transição para a vida adulta, fica a dúvida se o casal vai conseguir segurar as pontas e manter o relacionamento de pé apesar de todas as diferenças.
Dar o sinal verde com tanta antecedência escancara a confiança da Amazon no trabalho das criadoras Louisa Levy e Gina Fattore. Peter Friedlander, chefe de televisão global do Amazon MGM Studios, explicou a decisão afirmando que a adaptação consegue entregar histórias emocionantes e muito focadas nos personagens, uma receita certeira para fisgar o público do Prime Video. Segundo o executivo, a combinação de uma base de fãs já apaixonada pelos livros, um material de origem super rico e uma equipe criativa talentosa deixou evidente que a série tinha fôlego para ir muito além do seu ano de estreia. Com a imprensa já elogiando a forma como Louisa Levy conduziu os dramas profundos no agitado mundo universitário, a plataforma promete entregar aos fãs ainda mais romance, amizade e emoção nas próximas temporadas.

