O universo da dança vive momentos decisivos e de reflexão em diferentes partes do mundo. No Brasil, a disputa no “Dança dos Famosos” afunilou com uma eliminação dramática, enquanto nos Estados Unidos, a abertura da temporada do Balé de São Francisco levanta questionamentos sobre patriotismo e política.
A reta final da ‘Dança dos Famosos’
A competição televisiva teve uma noite de tensão e reviravoltas. Samuel de Assis despediu-se do programa após uma disputa acirrada que terminou em empate técnico com Bárbara Reis. Ambos alcançaram a marca de 117,5 pontos na somatória geral. Diante do impasse, coube à plateia a responsabilidade de definir o futuro dos competidores. O critério de desempate favoreceu Bárbara, garantindo sua permanência e selando a eliminação de Samuel, que dançou ao lado de Larisa Parison.
O cenário agora se volta para a grande final, agendada para o dia 7 de julho de 2024. A cerimônia promete ser um evento grandioso, com a previsão do retorno de todos os participantes eliminados ao longo da temporada para uma celebração no palco.
No ranking atualizado, a liderança ficou com Lucy Alves e Fernando Perrotti, que somaram 118,0 pontos, seguidos de perto por um empate no segundo lugar entre as duplas Amaury Lorenzo e Camila Lobo, e Tati Machado e Diego Maia, ambos com 117,8 pontos. Bárbara Reis e Vinicius Mello fecham a lista dos classificados com 117,5 pontos.
‘Stars and Stripes’ e o clima político nos EUA
Enquanto o entretenimento brasileiro foca na técnica e na competição, a abertura da 93ª temporada do Balé de São Francisco, ocorrida na última quarta-feira, 14 de janeiro, trouxe aos palcos uma discussão mais profunda sobre o significado de nacionalismo. A companhia reapresentou “Stars and Stripes”, obra de George Balanchine conhecida por seu tom cômico, camp e brilhante, embalada pelas marchas militares de John Philip Sousa.
O contexto, porém, mudou drasticamente desde a última vez que a peça foi encenada na War Memorial Opera House, em 2009. Naquela época, os Estados Unidos celebravam a posse de seu primeiro presidente negro, e a mensagem da direção artística era de pura celebração. Hoje, a atmosfera é outra. A atual diretora artística, Tamara Rojo, justificou o retorno da obra como um marco para os 250 anos de fundação do país.
Entretanto, a curadoria de Rojo soou menos cristalina diante da realidade atual, marcada por tensões envolvendo oficiais da imigração nas ruas e atritos geopolíticos com aliados da OTAN sobre a Groenlândia. Ainda assim, ao observar a diversidade de rostos e tons de pele dos bailarinos que compõem os “regimentos” em cena — vestidos com tutus rosa-choque e uniformes militares estilizados —, uma mensagem se sobressaiu à política institucional: é a imigração que constrói a grandeza da América e, por consequência, do próprio balé da cidade.

